Coronel da reserva do Exército é suspeito de ter agredido criança.
Caso ocorreu em prédio da Sefaz, em Salvador.
"Ele agora está bem, graças a Deus". Assim a mãe de um bebê de 9 meses
resume o estado da criança nesta quarta-feira (18), um dia após ela ter
ido a uma delegacia registrar ocorrência de agressão contra o filho.
Segundo o relato da mãe,
um coronel da reserva do Exército, de 75 anos, deu um tapa no rosto do bebê porque
o menino teria colocado a mão em um documento dele dentro da sede da
Secretaria de Fazenda (Sefaz), no centro de Salvador, na manhã da terça
(17).
A situação foi registrada na Delegacia Especializada de Repressão a
Crimes contra a Criança e o Adolescente (Derca) no mesmo dia. "A versão
que ele [coronel] apresentou aqui na delegacia é que a mão dele teria
encostado na mão do menino quando ele tentou retirar o documento. Já a
mãe alegou que, mesmo após a avó da criança ter removido o documento, o
coronel continuou irritado e agrediu o bebê", explicou ao
G1 na terça-feira a delegada Simone Malaquias, que investiga o caso.
A mãe diz que tudo aconteceu quando ela estava no órgão municipal por
volta das 10h30 de terça-feira, para fazer um serviço de recadastramento
do IPTU junto à prefeitura. De acordo com o relato da mulher, a criança
estava no colo da avó, uma senhora de 68 anos, quando o garoto colocou a
mão sobre um documento do coronel, que estava ao lado, e que seria um
comprovante com o número de protocolo do serviço. No momento também
estava no local airmã do bebê, de 9 anos.
"Meu filho pegou no papel, mas minha mãe segurou a mão dele para ele
soltar. Nesse momento, ele [coronel] virou e deu um tapa no meu filho.
Ele [bebê] ficou com o rosto vermelho na hora. Agora ele já está ativo,
brincando, mas eu como mãe não estou me sentindo bem com essa situação.
Estou sofrendo mais do que ele", lamentou.
De acordo com a polícia, a mãe teria reagido à situação reclamado em
voz alta com o idoso, o que teria chamado a atenção de pessoas que
também estavam na fila.
Em nota, o Exército Brasileiro afirma que o coronel de 75 anos não
negou esclarecimentos à polícia em nenhum momento e que tentou pedir
desculpas aos familiares da criança pelo "mal-entendido", mas não
conseguiu devido aos ânimos acirrados.
"Ele alegou dizendo que bateu sem ver. Mas ele virou e desferiu um tapa
no rosto do meu filho. Bateu porque estava no colo da minha mãe, que é
uma senhora de idade", completa a denúncia. Ela afirma que vai continuar
"brigando pelos direitos do filho". "Tudo que precisar ser feito, eu
vou fazer", ressalta.
Ainda segundo o relato, a criança chorou muito após o ocorrido, o que
gerou comoção entre as pessoas presentes no local. "Os policiais
chegaram antes que a população pegasse ele, porque não sei o que seria.
Foi até bom os policiais terem chegado primeiro e terem impedido que ele
fosse linchado", reflete. Por meio da assessoria de imprensa, a Sefaz
informou que o local tem policiamento 24 horas e o efetivo foi reforçado
devido ao aumento do movimento de pessoas por causa do serviço de
recastramento.
Conforme o relato da mãe, o coronel só deixou o local após o ocorrido
quando uma pessoa do Exército foi buscá-lo em um carro oficial. Em
seguida, o homem foi ouvido na delegacia. A delegada afirmou que o
coronel assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência para dar
continuidade às investigações. O caso será encaminhado ao Juizado
Especial Criminal, em Nazaré.
Nesta quarta-feira, o Exército informou que o coronel passou mal após
prestar depoimento na delegacia e teve que ser levado a um hospital. Ele
permenece sob cuidados médicos em casa, repousando.